quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Déspota



Ele é tão fraco quanto um fraco pode ser.
Ele me açoita por dentro, me fadiga.
Exige espaço, silêncio, comida, conforto,
noites bem dormidas, lazer, cócegas, duchas e prazer.
Meu corpo é tão mimado quanto um corpo pode ser.

Nicole Rodrigues

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

For the first time



Even with the fear and the unhealed pain,

Even if my sky falls all over again
To you I say “yes”.

Today I walk towards your light

And lose my words
For the first time in my life.

Nicole Rodrigues

domingo, 17 de agosto de 2008

Sem saber para onde ir


E a gente nasce
Sem saber o que fazer

A gente chora
A gente aprende
A gente ri

Da piada
Do azar
Do palhaço

A gente se alimenta
Da casca
Do recheio
E do bagaço

A gente estuda,
A gente emburra,

A gente jura
e desconjura;

A gente vive,
na riqueza e na lisura
A gente repete a reza
A gente se anima e se enfeza

Até que um dia a gente sente
que não dá mais pra sentir
E a gente morre
sem saber para onde ir.


Nicole Rodrigues

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O menino gigante


Sussuro um “nãna neném”
no balanço do barco.
Um menino gigante
adormece em meus braços
- te abraço -,
até que enfim.
Nicole Rodrigues

sábado, 2 de agosto de 2008

Third eye



One more glass of wine to open my third eye.

Nicole Rodrigues 

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Escriba


O que farei?
Com tanto papel,
com tanto rascunho,
com tanto testemunho

sobre segredos revirados do avesso;
infâmias, blasfêmias e pragas;
cartas sem endereço,
molestias, aflições e chagas...

Maldito estúpido errante,
tu me condenastes
ao risco,
ao traço,
ao rabisco...

Agora tenho um vício,
uma cólera:
sou escriba.
Nicole Rodrigues

Anoitecer


Uma mancha preta no olho esquerdo
me faz pensar em Borges...
Se meus olhos anoitecerem,
se um véu cair sobre eles:
o que diabos, meu deus, será de mim?


Nicole Rodrigues

Mundo afora



Até que enfim fincastes teus pés mundo afora...



Nicole Rodrigues