sábado, 27 de dezembro de 2008

Dor de cotovelo



Tem um calo na calota da calói.
Dor de cotovelo.
Quem diria...
Para você ver como dói.
Nicole Rodrigues

sábado, 20 de dezembro de 2008

Vinte e quatro


Precisei cair duas vezes:
uma aos nove meses
e outra aos vinte e quatro,
para deixar de ser maçã
e aprender a ser ávore.


Nicole Rodrigues

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Logo cedo



A voz de um bêbado me acorda logo cedo
e as horas passam como tostões furados.
Termino o dia com olheiras de vigia:
“quem me dera trocar minutos por centavos.”

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Avesso


 
Quero gastar a ponta dos dedos...
escrevendo o avesso dos segredos.
 
Nicole Rodrigues

sábado, 6 de dezembro de 2008

Cadillacs



Duelo de cadillacs na beira do rio:
tiros e choros,
gemidos e estouros
Kabum!!!!
Ninguém viu.
Nicole Rodrigues

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Rabisco






O risco do rabisco é rabiscar sem fim...


Nicole Rodrigues

A dor ensina a gemer


[Para Letícia e Margaretha - que a dor nunca seja maior do que a vontade de viver]



É como dormir uma noite inteira e ainda assim acordar cansada. Você quer levantar, quer andar, quer abrir a janela e ver a luz do sol, mas os olhos pesam, as pernas tremem, a cabeça gira. É uma mistura de frio e calor...

E você ouve vozes dizendo que é preciso buscar forças em algum lugar, mas você não tem a força que é preciso para levantar da cama e buscar mais força, onde quer que ela esteja. E quando um vulto invade o seu quarto, segura sua mão e começa a falar sobre uma força interior, em silêncio você pensa: “Dentro de mim não há nada, além de confusão e angústia...”.

Todo o resto parece ser anulado, parece estar abafado... Não existe espaço para o amor ao próximo, nem para o amor próprio, e o sofrimento se transforma na força motora dos dias de inércia que se arrastam um após o outro como uma fila indiana de maus presságios.

Você não quer dormir, mas manter os olhos abertos é tarefa cada vez mais difícil. Você não quer desistir, apenas não consegue continuar. É quando começa a pensar em prédios altos, objetos pontiagudos, cordas e armas de fogo...

Nesse estágio, viver passa a ser qualquer coisa parecida com cortes que sangram por dias a fio... E você deseja que tudo seja mais fácil e rápido, inclusive dar um fim à própria vida. Mas nada é. Nunca é. E você finalmente percebe que até para chegar ao fim é preciso sentir dor.

Nicole Rodrigues