segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A dor ensina a gemer


[Para Letícia e Margaretha - que a dor nunca seja maior do que a vontade de viver]



É como dormir uma noite inteira e ainda assim acordar cansada. Você quer levantar, quer andar, quer abrir a janela e ver a luz do sol, mas os olhos pesam, as pernas tremem, a cabeça gira. É uma mistura de frio e calor...

E você ouve vozes dizendo que é preciso buscar forças em algum lugar, mas você não tem a força que é preciso para levantar da cama e buscar mais força, onde quer que ela esteja. E quando um vulto invade o seu quarto, segura sua mão e começa a falar sobre uma força interior, em silêncio você pensa: “Dentro de mim não há nada, além de confusão e angústia...”.

Todo o resto parece ser anulado, parece estar abafado... Não existe espaço para o amor ao próximo, nem para o amor próprio, e o sofrimento se transforma na força motora dos dias de inércia que se arrastam um após o outro como uma fila indiana de maus presságios.

Você não quer dormir, mas manter os olhos abertos é tarefa cada vez mais difícil. Você não quer desistir, apenas não consegue continuar. É quando começa a pensar em prédios altos, objetos pontiagudos, cordas e armas de fogo...

Nesse estágio, viver passa a ser qualquer coisa parecida com cortes que sangram por dias a fio... E você deseja que tudo seja mais fácil e rápido, inclusive dar um fim à própria vida. Mas nada é. Nunca é. E você finalmente percebe que até para chegar ao fim é preciso sentir dor.

Nicole Rodrigues

2 comentários:

Vanessa disse...

OLÁ!SOU AMIGA DA ANDRÉA, SÓ PASSEI PARA ELOGIAR SEU TEXTO..ADORO ELES..PARABÉNS!!
BEIJINHUX
VANESSA

Capitu disse...

Às vezes penso que certas sensações são somente minhas... Mas vendo pessoas por aí, lendo um texto como ao seu, de alguém que eu nem ao menos conheço, percebo que o que sinto talvez seja comum à maioria das pessoas! E que as estranhezas alheias sejam tão próximas das minhas, mais do que eu poderia imaginar... Há momentos em que me sinto assim... Como as linhas do seu texto! Defino isso, pelo menos em min, como o reconhecimento da minha impotência, um momento de redenção... Quando percebo que sou falível, imperfeita e meramente humana... O que me deixa mais leve! Com menos peso da obrigação de ser... E me ponho a escrever... Nicole, parabéns pelos seus escritos... Identifiquei-me muito com eles... Talvez por sentir algo comum ao que sinto ou pelo menos parecido com o que coloco no papel! Talvez porque você coloca de forma tão clara, pelo menos pra mim, as nuances dos sentimentos humanos... Algo meu, algo seu, algo de todos... Colocarei seu blog na minha lista, para que eu possa acompanhar o seu trabalho! Beijo grande! Fique bem...