domingo, 28 de junho de 2009

Cor de tigre



Por que você
sempre fala baixo
quando estamos embaixo
do cobertor cor de tigre?

Eu escorrego os dedos
por entre os seus cabelos ruivos
- ovelhas que se encolhem como novelos...

Eu disse que voltaria
e você não acreditou,
então agora me diz:
você sentiu saudades?

Eu guardei a sua voz
numa caixinha de madeira
chamada violino...

Por que você
sempre fala manso?
- ao som da sua voz eu deito,
balanço e adormeço.


Nicole Rodrigues

5 comentários:

Thais disse...

Guardar coisas é uma especialidade :)

Capitu disse...

Querida, Nicole!

Há tempos não vinha fazer-lhe uma visita...

E ser recebida assim, com versos simples e tão verdadeiros, deixa-me mais uma vez confortada em seu recanto...

Mas mesmo que as palavras sejam fortes e nem tão afáveis, como no post anterior, ainda assim sinto-me recebida verdadeiramente...

Porque o que expõe é real! Algo que vem do íntimo... Transborda para a felicidade do observador, ou de um transeunte apenas...

E transborda para a alegria do bem comum...

Seu cobertor, mesmo em pele de tigre, é aconchegante... É doce e seguro...

Um beijo, moça! E obrigada por compartilhar seus sentidos e sentimentos com a gente...

Nicole Louise disse...

Thaís:

Uma especialiade sua ou minha? (rs).

Capitu, você é um poema em forma de visita.

R.Vinicius disse...

Oi.

O poema segue o próprio ritmo como uma canção; Lembrei do dito Quintana "Quem faz um poema salva um afogado. É por isso que poemas têm ritmo, para que possas respirar nele." Você salva um afogado. Parabéns pelo talento.

Abraço,
R.Vinicius

Nicole Louise disse...

Puxa Vinícius, esse foi o elogio mais original que eu já recebi em relação à minha poesia - obrigada! :)