sábado, 13 de junho de 2009

Zumbido



Ela simplesmente se recusava a ir embora.

Como um cortador de grama com asas, ia e voltava, desfilando em círculos, em volta da minha cabeça.

Tentei de tudo: primeiro ignorá-la, depois me esconder por detrás das páginas de um livro velho, enquanto atravessa a cozinha, de onde a enxotei com um pano de prato, até perder a paciência e esmagá-la contra a parede de azulejos encardidos, com uma revista de fofocas do mês passado.

Tudo tão decadente. Do zumbido ao fim.


Nicole Rodrigues

Um comentário:

R.Vinicius disse...

Oi.

Claro que pode me chamar de Vinicius. Fique à vontade.

Achei interessante esse texto.
"A prosa leve" carrega o leitor, além de nos prender atentos. O Zumbido nos liga a um mosquito sendo enxotado com um velho pano de prato. Essa leveza me lembra Calvino, pois ele disse que uma das características dos escritores deste século é "a leveza na escrita" será a característica mais forte. E você a tem.

Abraço,
R.Vinicius