domingo, 26 de julho de 2009

Sleepy eyes



 

Os olhos cansados borram os versos.

Nicole Rodrigues


4 comentários:

R.Vinicius disse...

Oi.

"- Minha vista turva cai sobre o poema. O que há nele? Penso desconcertado. Está nublado."

Abraço,
R.Vinicius

R.Vinicius disse...

O Convite.

O copo de café expresso está sob a mesa de escritório; o sono está anulado pela cafeína, o trabalho segue seu ritmo industrial. Escrevo convulsivamente, como se minha boca estivesse cheia do amargo e deste veneno vertesse palavras. Escrevo sobre o desencontro, sobre o desfecho triste de um pobre diabo. O jornalismo é deixado de lado; sobra ou resta como preferir usar o termo – a pouca vontade de viver. Gosto dos personagens tristes, com a forma simétrica de Nelson Rodrigues, a nostalgia de Proust e fotografias. Gosto dos detalhes densos, tais qual Balzac e sua densa obra. Alio a forma delicada e firme das personagens femininas, seja em Beauvoir ou em Virginia. A prosa me agrada; não me atrevo a deixar o poema de lado. O poema nos ensina a ritmar a narrativa, como a respirar entre as linhas. Pessoa e seus diversos seres. Um cão caminha na rua, um homem lê jornal fumando. Quanta história na pequena frase. Construo frases com detalhes sutis, tentando formar a imagem de um quadro. Estava pensando sobre os homens que odeiam falsos literatos. A minha pompa não passa de projetos de literato, talvez o eco vazio do nada concreto. Faço menção ao fato por confrontá-lo com o fracassar. Estou vazio. Nada resta. Talvez escreva sobre o nada, ou sobre essa sensação de perda. Faço o auto-retrato do personagem. Nas horas de vazio tento preencher o ser de música, bebidas, cigarro, vícios e obsessões que acabem por consumir o todo. Não é uma forma de suicídio, nem de degradar o que resta; é a forma desgovernada de encontrar o sentido. Lá está o personagem a espreita a observar a fumaça sair dos lábios, a ouvir a música cair e elevar-se entre o silêncio da noite; escrevo a noite, sob a luz fria da rua, onde diversas vezes sou pego de surpresa. Calhou que não havia nada demais em escrever e por isso escrevo. O personagem me olha de soslaio, com certa desconfiança, mas depois de algum tempo é seduzido ou pela música, ou pelo vicio, enfim chega de mãos vazias e a gente conversa, enquanto ouve Sinatra e traga a frieza da rua cinza. Estamos sentados na mesa de um café, deste jorra a música e desta posição privilegiada podemos observar a rua e conversar. No começo a conversa é silenciosa, ambos nos olhamos e fumamos em silêncio, tomados unicamente pela cumplicidade do vicio e da música. Acontece que alguém passa a rua, um vulto, uma sombra. Súbito reconheço o formato da escritora e peço, ou melhor, convido a sentar-se, a fazer companhia a dois miseráveis que compartilham a solidão.

- Aceita?

Nicole Louise disse...

Aceito, com imenso prazer.

- Garçom! Um chá-mate gelado, por favor.

;-)

Vinicius disse...

E teus olhos são versos.