domingo, 25 de outubro de 2009

Estamira

[Para você, admirável Estamira.]



Está mira,
está menina,
está mulher,
Estamira

É o trovão em carne e osso,

é o trauma,
é a traição,
é o estupro,
é o desgosto

de um coração partido,
de um corpo invadido,
de um ser submerso,

devoto de um deus cego,

que como um trocadilho ambulante,
não lhes deus comida no prato,
nem luxo na estante.

Estamira é uma louca
ao contrário,
é um cometa do pai, avô, marido e pedófilo astral;
é um astro par,
positivo e único-condicional.

Estamira é o reflexo

consciente, lúcido e ciente por um triz
de quem enxerga, ouve e sente
que não teve a sorte de ser feliz.



Nicole Rodrigues

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A pipa do poeta



Só não é poeta quem não alcança
o verso no verso
da pipa que balança.


Nicole Rodrigues

Lágrimas no teu rosto



Será que vale à pena
aprender com os erros de quem
te surrupiou o sossêgo,
tirou o sorriso
e negou a paz?

Se assim for, permita-se chorar uma vez mais.
Mas lembre-se de parar antes de se afogar
nas gotas de tristeza dessa tua vida.

Erga teu corpo,
enxugue teu rosto
e anuncie tua partida.

Depois fique de pé,
caminhe para bem longe
e não olhe pra trás.

Não envie cartas,
não telefone,
não deixe pistas
para o teu capataz.

Nicole Rodrigues

Hoje eu sei


Você disse
“de onde vem tanto amor eu não sei,
mas andar de braços dados
pelas ruas contigo
me faz sentir como um rei”.

Que para que eu te amasse
de tudo um pouco
você faria.

Mas eu te amei
- e hoje eu sei -
desde o primeiro dia.


Nicole Rodrigues

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Capri sireins


Com os pés dentro d’água
 ele espera que ela volte e o leve,
com o seu canto,
para o canto
onde a saudade
chega ao fim.

Nicole Rodrigues