segunda-feira, 12 de abril de 2010

Refém



 A inquietação me possuiu.
Tomou conta do meu corpo.
Ora pertenço a um,
ora pertenço a outro.

Às vezes me insinuo facilmente,
noutras dificulto um pouco mais;
às vezes me entrego totalmente,
noutras me preservo um pouco mais.

Às vezes sinto asco, repúdio,
noutras até sinto prazer...
Fecho os olhos pra ver se aproveito,
mas o final é sempre o mesmo:
eu me arrependo.

Tento enganar meu próprio corpo,
imaginando que o membro a me explorar pertence a ti,
mas no final tanto faz,
porque todo o meu esforço prova-se inútil, ineficaz.

E a prova irrefutável da recusa deste corpo
a se entregar a outro alguém
é a recorrente negação
da qual me mantenho refém. 

Nicole Rodrigues

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