domingo, 29 de agosto de 2010

Amnésia



Pensei em ti ao acordar
e me espantei ao perceber
que eu havia te esquecido.

Nicole Rodrigues

sábado, 21 de agosto de 2010

Submersa



Essa noite eu sonhei que estava voando
em um labirinto de montanhas corcundas...

Anjos coloridos sentavam na borda dos precipícios
e me ouviam cantar: “lá-lá-ri-rá”.

E eu fazia charme,
fazia graça,
fazia hora,
como se soubesse,
que iria morrer
no primeiro ponteiro do último dia
que estava pra nascer.

Nicole Rodrigues

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Joaquim



Um palacete de presente para o dono da pastelaria.
Pasteizinhos de nata...
Ai meu deus,
como eu queria!

Nicole Rodrigues

Maldição



Meia noite,
meia dúzia
de mensagens
malditas...
merda
de amor!

Nicole Rodrigues

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Baú



Sinto como se não houvesse
espaço em minha memória
para te esquecer.

Então te guardo.
Te guardo como se engravidasse
de um filho que não quero ter.

Nicole Rodrigues


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Andar por entre a gente



I

A primeira condição é o desapego. Abandonar amigos, família, amantes, amores. Nem sempre de um modo literal, físico, ou ainda consciente, mas o suficiente para garantir a distancia necessária para se viver sem eles. É solitário andar por entre a gente, mas nós andamos. Solitários, depressivos ou insanos, todos nós, escritores, compartilhamos a arte da contemplação. E é assim porque um escritor precisa de dois mundos. Um para observar, e sobre o qual escreverá, e outro para viver enquanto escreve sobre o primeiro.


II

Cofres com binóculos, microscópios, lupas, papel e caneta, ou teclado… estamos todos trancamos dentro de nós mesmos, num mergulho que nem sempre tem volta. E eu tenho tanto medo de um dia não voltar. Tenho medo de um dia ir morar nos meus contos.


III

Escrever é a única coisa que me mantém viva nesse mundo sobre o qual escrevo.
Escrever é a única maneira de transformar meus demônios em servos.
É por isso que todos os dias me forço a mergulhar.
E o final de cada texto meu traz consigo um alívio indescritível.



Nicole Rodrigues

Ave do paraíso



No peito um escudo
em verde e dourado.
A ave do paraíso
não sabe que brilha,
só sabe que dança
para impressionar a fêmea.

Nicole Rodrigues

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Svenska


Palavras cheias de consoantes me invadem os ouvidos...
Com a língua no céu da boca
me ponho a ranger os dentes
− sinto falta das vogais.


Nicole Rodrigues