quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Diabolic



Teu desejo não é segredo
nem pra mim nem pra ninguém.

É cobiça encegueirada,
constante,
latente,
alarmante,
desenfreada.

Um desejo que faísca em olhos vidrados
e que de tão óbvio faz rir
todos aqueles que te observam a me seguir.

De um lado pro outro:
inquieto, incessante, insistente...
Mais parece um parasita!

Pupilas dilatadas,
gestos largos,
suspiros,
gargalhadas.

Teu corpo é soldado bem treinado
e disposto a me convencer
que outra, além de mim,
não é do teu agrado.

Tanto te dedicastes ao personagem
viril e galante que me conquistaria
que acabastes sendo preso
em tua própria armadilha.

Esperavas que eu te venerasse
e que como prova de devoção
meu corpo a ti eu entregasse...

Astuto cavaleiro da armadura enferrujada
por que tanto esmero em uma só emboscada?
Nessa rede de interesses nefastos e insólitos
de amores inclementes e bucólicos...

Proclamando a ti mesmo o dono de minh'alma;
subestimando minha inteligência
e ostentando tua perspicácia
- Que audácia!

Tua sede incurável e doentia
te obrigará a ouvir por mais uma dia:

Diabolic,
pretenso mestre da conquista,
chega de tanta cortesia fajuta.
Basta, não insista!

Pelo desejo não te culpo,
mas tua traquinagem merece punição.
De agora em diante
te privarei de minha companhia,
e te recusarei à exaustão.

Não. Não te atrevas a dizer mais nada.
Tens o que merece:
és vítima de tua própria cilada.



Nicole Rodrigues

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