segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Rato traquina



Essa é a história do rato traquina.
Um bicho tão sabido, mais tão sabido,
que sempre conseguia o que queria.

Reza a lenda que um belo dia ele estava tão faminto
que saiu do esgoto, na surdina,
rumo a um lindo castelo, na cidade vizinha.

Foi chegando de mansinho tentando abrir caminho.
Pra lá e pra cá, saracoteava sozinho e vivia a repetir:
“Rato que é rato tem que roubar comida direito.
Tudo bem rapidinho pra não correr o risco de ser pego”.

No castelo ele chegou, todo cuidadoso:
um olho no chumbinho e outro na ratoeira.
Mas o serelepe ratinho mal sabia
que a pior das armadilhas nenhuma dessas seria...

Descendo a escadaria rumo à cozinha
deu de cara com a rainha:
- Ohhh, mais que bela!

Já no último degrau
deu de cara com a princesa:
- Mais uma?! Ahhh há há, que beleza!

O rato ficou tão encantado
que não conseguiu decidir
qual das duas queria ter ao seu lado.

“E agora, e agora, o que é que eu vou fazer?
Sem aquelas duas eu não quero mais viver.”


Num ato de bravura, o bichano foi até o rei e lhes disse:

“Majestade me perdoe pelo rato que sou,
a amar suas mulheres condenado estou.
Daqui não posso e nem quero mais sair.
Estou confessando o crime que cometi.

Por isso me puna, me prenda,
me enfie no seu calabouço.
Lá eu ficarei bem quietinho
e não mais causarei mais nehum alvoroço”.

O rei, muito aborrecido com a traição,
tratou de condenar o rato à reclusão:

“Foi procurando comida
que se encantou com a rainha;
foi procurando comida
que se encantou com a princesa;
ficarás preso em uma cela suja e vazia
e jamais conseguirá o que tanto deseja”.

Horas mais tarde a prisão do traquina já era notícia
e todo mundo finalmente entendeu
o que na cabeça do ratinho sapeca sucedeu,
já que lá do jardim a gargalhada dele se ouvia:

“Há, há, há! Ficar preso aqui
era tudo o que eu queria.
De agora em diante farejarei noite e dia
a comida do castelo, a mulher do rei e a sua filhinha”.

Pelo visto o velhote do rei não percebeu
que nem a grade, nem as paredes de concreto
poderiam deter um ratinho tão esperto.

Nicole Rodrigues


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