quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Descartes


Quisera eu ter te matado quando pude,
logo apor o espanto
de sentir teus dedos forçados dentro de mim.

Quisera eu ter golpeado a faca
que ainda tive forças para buscar
no teu peito covarde, perverso.

Eu ali, ignorante,
sem saber que uma víscera afunilada
te daria acesso à minha alma.

Virei mulher sem querer,
sem poder
dizer não.

Se ousares voltar
a me visitar em meus sonhos
juro que dessa vez não errarei o golpe.
Nicole Rodrigues

Um comentário:

memoriacaotica disse...

difícil morrer/matar qd o sonho persiste.