quarta-feira, 27 de julho de 2011

Vinte e oito



Agora sou um comboio
com vinte e oito vagões
cheios de esperança.


Nicole Rodrigues

terça-feira, 26 de julho de 2011

Miopia


Par de olhos nenhum
será o bastante para lhe mostrar
o que existe de sobra
nesse mundo de meu deus.

E poema nenhum
será o bastante para que tu entendas
por que eu te disse adeus.

Nicole Rodrigues

Culpa


Que a culpa te parta ao meio
e que nunca ouses parir
o filho que tu sabes
que te verá partir.

Nicole Rodrigues

domingo, 24 de julho de 2011

Curandeira


Cansaço na alma tem cura?


Nicole Rodrigues

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sossêgo


Perguntas e cobranças
me tiram o sossêgo.
Maldita interrogação!

Quisera eu fazer morada nos pontos
onde tudo o que se sabe
é certeza.

Nicole Rodrigues

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Língua do P


O pior poeta é o que não escreve
por amor à palavra
mas sim em prol da conquista.

Que usa rimas frágeis
e versos falsos
para atrair presas fáceis.

Leitores aos seus pés,
enquanto ele finge amor à arte
para pescar um peixe cego.

Um perigo constante.
Um predador passivo. Um profeta pateta.

Piedade, senhor,
do poeta que não sabe poetar.
Que só sabe citar quem sabe,
só sabe fingir
e só sabe imitar.

Nicole Rodrigues

domingo, 17 de julho de 2011

Frates


O útero se encheu de coragem
para abrigá-los por dias gulosos e noites insones
até que o primeiro choro ecoou nos tímpanos
e escorreu dos olhos do rebento ingrato
que deu as costas ao próximo na fila
e a maldição começou.

Nicole Rodrigues


quarta-feira, 13 de julho de 2011

Esgueira


 Um torcicolo maldito
do esforço da esgueira,
da vigília constante,
da espera angustiante
de uma prova do teu amor.
Um olhar, um suspiro, uma carta,
qualquer coisa que me faça
voltar a acreditar
que a faísca nos teus olhos
sou eu.

Nicole Rodrigues

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Desertora


Eu venho
em forma de abraço
  pedir perdão
por não saber que a minha partida
abriria uma ferida tão profunda em ti.

Eu venho
 dizer que a minha juventude
me impediu de ver que os rastros da minha cavalgada
durariam para sempre em tua memória.

Eu venho
contar que não houve escolha
apenas medo.

Que agora só existe
dor, agonia e culpa.

E que sinto a tua falta
a todo momento.

Nicole Rodrigues

sábado, 2 de julho de 2011

Patina


A tua pele é escoarada
feito patina,
uma aquarela morta,
cor de nata.

Uma palidez que vem dos ossos
e se espalha feito praga
até impregnar os teus olhos fundos.

És um poema mudo,
diminuto,
finito
... defunto.

Nicole Rodrigues

Nevasca


As paredes descascadas
anunciam a tua partida.
Foi o inverno que te mandou para longe
ou a solidão que te roeu por dentro?

Nicole Rodrigues


Vagalume


Passeios noturnos
despertam a vontade
de virar vagalume.

Nicole Rodrigues

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Tatanka



É a vontade que não passa
é a saudade que não mata
é a pressa de voltar
é o medo de acabar
é o amor que não chega ao fim
nem mesmo se o fim chegar.


Nicole Rodrigues

Casinha no campo


Uma casinha no campo
de madeira sortida
varanda afora,
tapete adentro,
cortinas listradas,
alegres,
paredes cor de terra
e vasinhos cheios de flores
amarelas.

Nicole Rodrigues

Morangos silvestres


 Morangos silvestres
colorem a trilha
ao final de mais um dia
de caminhadas solitárias.


Nicole Rodrigues