terça-feira, 24 de abril de 2012

Vitralzinho




I

É um tapa na moleira atrás do outro. Bando de animais! Pra quê tanta grosseria? E lá vou eu responder e dar uma lição de como ser ainda mais grossa. Pra quê, meu deus, pra quê? 

II

Já até mandei cortar essa minha língua afiada para o meu bem e o seu. Mas agora não adianta mais. Está feito. E eu bem que tento ficar mais formosa com o tempo. Mas não, fico mais rabugenta, carrancuda e azeda. As pessoas me irritam. 

III

Posso me ouvir silenciando. Percorrendo as profundezas de mim mesma, procurando e fechando cada porta, cada janela, cada vitralzinho maldito, na ânsia de impedir que ruídos escapem por entre meus lábios.
Nicole Rodrigues

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