domingo, 4 de novembro de 2012

Com C



Vim das profundezas gélidas,
atlântico adentro,
num susto,
num pulo,
num voo longo e turbulento
encarar a morte que rondava
as bandas de cá.

Ela até que se acalmou, mas deixou um corte profundo no macho,
no mago,
que, mesmo doente, tanto faz rir.

É a tal da Canceira. Com C mesmo. De Câncer.

Que ataca uma vez mais.
Mas o guerreiro rechaça o golpe
e engole as lágrimas
pra fazer florir a força
que o purificará por dentro.

E juntos cá estamos,

a contar os dias,
a catar os cacos,
a tapar os buracos,
que a morte cavou em vão.

Pés fincados, lado a lado, mãos dadas, entrelaçadas,
numa muralha de proteção.
Quem sabe agora ela aprende
que aqui não há o que levar.



Nicole Rodrigues

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