quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Geralda





Sequer me lembro da última vez que te vi. Quanto tempo faz? O tempo que não volta nunca mais. O que restou não foi a tua língua afiada, nem o teu olhar marcante, mas sim os rastros do teu pé tentando firmar a pegada. A tua vontade de continuar neste mundo.

Primeiro, foi a luta contra o cérebro que sangrou, depois contra o tubo que te alimentou e, por fim, contra a máquina que te fez respirar. O cansaço era demais e o teu coração falhou. Pobrezinha.

E o que foi feito da tua alma? Para onde ela foi? Será que um dia voltaremos a nos encontrar?


Nicole Rodrigues





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