sábado, 7 de dezembro de 2013

Criado-mudo






Pálpebras pesadas como cortinas
que protegem da claridade.
O sono é constante, o cansaço também.
Os dias cada vez mais imóveis,
vividos em outra dimensão.

Nos intervalos, o tombo é iminente
porque as pernas desaprenderam a andar
e a cabeça dói, dói, dói
por excesso de pensar.

Os olhos vesgos, por olharem sempre
em uma só direção e o pulso reclama
de tantas horas na mesma posição.

O que fazer com as páginas
que me cercam no quarto?
Guardei todas no criado-mudo.

Mas muda mesmo só eu,
que as condeno a mais um dia em branco
por pura falta de tempo.

Nicole Rodrigues

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