sábado, 6 de dezembro de 2014

Magnetismo


Que estranho viver num mundo onde todo mundo anda com o telefone celular na mão. Inclusive eu. Outro dia, caí da escada e torci o pé porque não consegui esperar chegar em casa para checar meus e-mails numa tela grande, sentada, em segurança, no conforto da minha casa.

Um magnetismo maligno esse. Uma força que atrai e depois trai. Uma sensação constante de que algo muito importante deve ter acontecido ou está prestes a acontecer, e eu gostaria de estar lá: atenta, alerta, para ver tudo se revelar em tempo real à minha frente. Porque se não for essa a explicação, qual seria?

É como as relações tóxicas, das quais não se consegue ficar longe, ou ainda as platônicas, que não são necessariamente ruins, mas nem por isso são boas.

Um magnetismo enjoado, insistente. Uma resiliência irritante. Um desejo pulsante, que desequilibra a mente, acelera os batimentos e faz a carne tremer de desejo… de manter-se ligado. Ao celular e ao outro. Seja ele quem for. Seja ele de quem for. Esteja ele onde for. Mas com o tombo veio a cura. E a cura é deixar para lá.

Nicole Rodrigues 

Nenhum comentário: