sábado, 25 de abril de 2015

Cintilante


Houve curiosidade, anseio 
e até desejo, 
mas amor mesmo só o teu. 

A bondade em carne e osso. 
A alma gêmea em agonia e depois em alvoroço 
ao constatar que não houve fim, apenas pausa. 

E a alegria retumbante ao pousarmos na cauda 
do astro que nos leva para longe, 
porém juntos, rumo ao cosmos cintilante. 

Nicole Rodrigues

Despedida


Jangada 
jogada de frente pro nada. 

Desperdício 
de madeira cortada. 

Reboliço 
da alma que se esconde na mata. 

Nicole Rodrigues

Eu, você, o barista e o diabo


Eu, você, o barista e o diabo
Numa noite ensolarada.
Na sala com tapete e vista pro nada.

Uma gota de tinto aguça os sentidos.
Sussurros, risadas e gemidos 
Ouvidos de longe e ao pé do ouvido.

Anseios escondidos na nuca, 
Nas coxas, na curva
Dos seios, 

Tesouros revelados 
Com a ponta da língua 
E dos dedos,

Delírios indizíveis, 
Invisíveis, no canto dos labios
E na caverna mais funda
Do corpo que inunda. 

Um gole do latte cremoso 
E um abraço custoso selam o amanhecer 
De quem quis amar, 
E amou, sem poder.

Nicole Rodrigues

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Beta blockers


Um poema entalado na garganta.
- um verso no almoço 
e uma rima na janta. 
Mas o danado não sai,
o maldito não cai
na página.
Nicole Rodrigues

Medéia material



Teu feitiço, 
como sempre, 
é usado para o mal.

Tu, 
outra que não tu, 
Medéia material.

Nicole Rodrigues

Grand Canal


Dublin in the winter is a mess
And a maze.
I keep falling down the stairs
And missing the trains. 

Nicole Rodrigues

Empty nest


Three snakes around me, 
surround me, surpass me,

smoothly, slowly,
while I stand still

in an empty nest,
in my emptiness.

Nicole Rodrigues